SHINTOISMO

Torii flutuante do Santuário Shintoista de Itsukushima em Hiroshima 
O Shintoísmo é a religião da natureza, a religião em que se vive para esta vida. Nela,  o além-vida tem pouca importância, e seus ritos concentram-se no bem-estar e felicidade terrena. No shintoísmo, é de suma importância o homem e a Natureza viverem em harmonia. Essa harmonia é adquirida através de rituais ligados à natureza e às suas manifestações como as estações do ano, os rios, as montanhas, a água, a fertilidade, etc. 
O Shintoísmo não surgiu por obra de um fundador, mas pela evolução do povo japonês. Não tendo fundadores ou mestres, formou-se por uma estratificação de crenças, ao longo dos tempos, com fortes influências budistas e confucionistas. Não mantém profundas reflexões filosóficas ou teológicas, nem escrituras sagradas, nem código moral específico, imposto por autoridade divina, ou que se refaça a qualquer revelação sobrenatural.
O Shintoísmo é a religião oficial do povo japonês e pode ser considerada a síntese de toda a sua formação cultural. Durante muito tempo os japoneses acreditaram que o seu Imperador era um legítimo descendente da deusa criadora do Japão, Amaretasu (Deusa Sol). 
Após a Segunda Guerra Mundial, com a derrota do Japão em 1945, hipótese  impensável para os japoneses, o imperador foi obrigado a declarar que não era filho de nenhuma divindade, mas um simples mortal. Apesar disso, o Shintoísmo não sofreu nenhum abalo significativo e continua sendo, ainda, a religião que une os japoneses e lhes proporciona uma consciência nacional, coisa que nenhuma outra religião consegue dar a seus adeptos. 
O Shintoismo é uma religião politeísta, e suas divindades, chamadas de Kami, são em número tão variado, quanto são as variadas as diversificações da natureza. Com esta concepção, tudo e todos na Natureza são considerados seres sagrados, merecedores de culto e respeito por parte das pessoas.
Pelo fato de os Kamis fazerem parte da vida cotidiana e de todos os elementos da natureza que cerca o ser humano como a colheita, as flores, e os animais,... criou-se no japonês uma concepção de que todo o mundo material é bom e que não existe pecado, no sentido de ofensa a uma divindade. Ao contrário da idéia de recompensa pós-morte, pregadas pelas religiões derivadas do Cristianismo, no Shintoísmo a vida é terrena, e todas as pendências devem ser resolvidas ainda em vida. Talvez esse seja o motivo dos japoneses terem uma imagem tão correta e serem tão prósperos: eles não esperam por milagres.
A felicidade deve ser alcançada somente aqui nesta vida terrena, vivendo em equilíbrio com o universo natural e respeitando a todos  em todos os seus aspectos. 
Apesar de não existir pecado, no Shintoísmo, os erros e as imperfeições  são purificadas com  visitas e ofertas aos templos, banhos purificadores nos riachos, peregrinações aos lugares sagrados etc., para não sofrer a influência do Yomi, a essência negativa do universo que emana energias impuras.O japonês sente nitidamente a presença dos Kamis na sua vida e, nos relatos dos missionários, percebe-se como é arraigado o sentimento de agradecimento e de dependência aos Kamis, por tudo o que eles nos oferece.
A purificação ritual destas imperfeições é o retorno a uma vida harmônica para conviver pacificamente com os Kamis que povoam toda a natureza. Aqueles que se recusam a se purificar, e insistem em suas imperfeições nessa vida, serão destinados a um mundo obscuro ou estarão incorporados ao Yomi. Este é o único aceno a uma sobrevivência futura: impessoal, vaga e inexplicável transformação em energia impura ou em espírito mau da natureza. 
Nessa religião, o significado de “além vida” é muito confuso para a mente ocidental. Os shintoístas japoneses se referem a morte com o termo shinuru, que significa “o hálito”. A morte acontece quando o “hálito” sai do corpo e muda de lugar. A pessoa continua, porém, a viver no mundo, em uma situação não bem definida, mas, afirmam os shintoístas, ela conserva a consciência que tinha antes de morrer. (quem leu Harry Potter, na cena em que os Dementadores sugam a vida de Sirius Black, acredita que J.K Rollings criou essa cena com influências shintoístas, o que é muito provável, já que toda a história do bruxinho  é formada por uma miscelânia de nomes e mitos da mitologia grega, romana, cristã, pagã e muitas outras)
Os shintoístas  homenageiam seus ancestrais através das expressões naturais, como vegetais plantados em memória dos finados, através dos rios, etc.
Os shintoístas não admitem ressurreição, nem reencarnação. Antigamente, os japoneses acreditavam que o imperador e seus descendentes eram filhos de divindades. Diziam que esses, depois da morte, transformavam-se em espíritos celestiais. Hoje o xintoísmo, embora mantenha profunda raiz cultural japonesa, vai evoluindo, e essas crenças se reduzem mais a aspectos de um folclore histórico para celebrar as festas nacionais, mas deixam, no entanto, um vazio na alma japonesa, bombardeada pelo progresso técnico, vertiginoso e materialista.
Devido à natureza sincrética entre o Shintoísmo e Budismoas, é muito comum  no Japão, registrar uma criança ou celebrar seu nascimento num santuário xintoísta, enquanto os preparativos para um funeral costumam ser ditados pela tradição budista. De modo geral, a maior parte dos eventos relacionadas à "vida" ficam a cargo dos rituais xintoístas, enquanto os eventos relacionados à "morte" ou à "vida após a morte" ficam a cargo dos rituais budistas (embora isto não seja uma regra)

rochas sagradas de Inazami e Inazagi
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